
TaylorModeOn
Enfim sábado, dia de descanso, nada de correria, vou aproveitar esse tempo livre para botar as coisas no lugar, inclusive meus pensamentos ,ontem quando ele me trouxe em casa não tocamos no assunto "beijo", achei até melhor porque não sei muito bem o que vai acontecer, o que eu vou falar, tá tudo muito confuso. Lá pras 10 horas ele me ligou , pensei um pouco antes de atender, mas enfim, atendi mesmo, não adiantava nada fugir.
- Alô?!
- Oi, bom dia!
- Bom dia!
- Tá fazendo oq?
- Nada, e você?
- Nada também, mas pretendendo.
- Huum ... Pretende?
- Tô querendo ir num sítio perto da cidade, relaxar uma pouco sabe?
- Que legal.
- Então estava pensando, você poderia ir comigo né?!
- Eu?!
- Claro, não quero convidar a Andy ela tá muito chata e agente vai acabar brigando.
- Haan ...
- Então vai? Por favor , faz isso por mim ... - Eu com certeza estava louca para ir com ele, mas não sei se ia ser bom, o clima tá meio estranho pra mim, fora que o papo do beijo vai rolar.
- Não sei...
- Ahh , por favor Taylor.
- Ok! Eu aceito.
- Passo pra te buscar as 12 horas tá bom ?
- Certo.
Desliguei e fui começar a arrumar meus livros e tudo no meu quarto, depois do passeio eu pensaria na cozinha, na sala, no banheiro e etc... Ás 12 horas em ponto ele estava na minha porta, estava só com uma calça jeans, uma regata e um tênis mesmo, não queria agir fora do normal. A ida até o tal sítio foi rápida, o lugar era lindo , só verde, tinha uma casa também, típica de um sítio, lá era tudo lindo.
- Então vamos entrar?- ele me perguntou, percebeu como eu amei aquele lugar.
- Vamos, esse sítio é da sua família?
- Na verdade não, mas meu tio costumava me trazer aqui.
- Haan, adorei isso aqui .
- Dá para ver pela sua cara de alegria , kkkk’
- Tá zombando da minha cara é?!
- Eu?! Jamais!
O dia foi ótimo, brincamos, fizemos um piquenique, subimos em árvore, nos jogamos no rio de roupa mesmo e depois de muita canseira sentamos a beira rio. Eu sentia que por ai vinha uma conversa tensa demais para uma tarde tão tranqüila como essa nossa.
Por um tempo aquele silêncio incomodo pairava no ar, talvez ele procurasse uma coisa pra falar, mas eu deixava isso pra lá, já pensava nas respostas que iria ter que dar.
- Então, gostou de tudo aqui?
- Amei, esse lugar é mesmo lindo, me lembra a coisas boas me faz esquecer-se do mundo.
- É isso que eu gosto nesse lugar, me lembra a minha infância, no tempo que eu era só um garotinho e que talvez minha mais difícil escolha fosse o que iria levar pro lanche.
- kkkkkkk.
- E você, me conta um pouco de ti.
- Ahh, eu sou uma aberração, demorou um tempo para eu perceber isso, mas quanto mais eu vivia aqui na terra eu percebia que eu era estranha , era diferente e que talvez fosse um pouco assustadora para a raça humana. Meu pai me mandou para cá , talvez como castigo, ou lição , sei lá.
- Como assim? Castigo?
- Ele não acreditava na raça humana, achava que todos eram traiçoeiros e que acabariam com o precioso mundo que tinham nas mãos, o que não era mentira, mas eu nunca vi os humanos como uma coisa mal, como uma ameaça, pra mim eles só deveriam ser ensinados, só precisariam ser acostumados, eu achava bonito o amor que eles passavam, um dia meu pai me disse que não existia o amor, que era tudo uma farsa, que começava e acabava depois de um tempo, ai eu vivo aqui por uns tempos já, observando os humanos, mas nesse tempo, eu percebi que meu pai estava certo, o amor dos humanos começam e passam, é falso.
- Então você não acredita no amor? Você nunca amou ninguém.
- É, vivi aqui sozinha por muito tempo, sem amigos fixos, sem paixões, sem conhecidos, nada. Eu sei como voltar para casa mas não quero, alguma coisa não me deixa ir.
- Talvez você goste de ser uma humana.
- Pode ser, mas um dia eu terei que encarar a realidade e perceber, eu não sou uma.
Talvez minhas palavras tenham deixado acanhado ou com um certo medo, quem sabe, ele se calou, não falou nada, então eu percebi que era melhor mudar de assunto .
- Então... Vamos mudar de assunto né?! Você trás muitas pessoas aqui?
- Não muitas.
- Ahh você só deve ter vindo aqui com a sua namorada ter uma noite romântica ou algo do tipo né?
- Para quem não é humana você até que tá ligada demais nas coisas hein?!
- rsrsrsrs, muitos anos de convivência.
- rsrrsrsrsrs, mas na verdade não, nunca trouxe ninguém aqui, você é a primeira. Eu não gostaria de compartilhar esse lugar com ninguém.
- E então porque me trouxe aqui? – Ele olhava pro fundo do rio, talvez pensando porque havia me trazido aqui.
- Não sei, eu só quis te trazer aqui, na verdade... Eu sinto algo diferente quando estou com você, uma coisa estranha que eu não consigo distinguir, eu só que me faz bem.
Ele parou por um momento e meu olhou nos olhos, como se procurasse o que fazia ele se sentir assim, em mim e se ele estivesse fazendo isso eu fazia o mesmo porque na verdade, dentro de mim, tudo isso está acontecendo comigo também. Ele tocou o meu rosto tirando um fio de cabelo teimoso que teimava em não ficar no lugar, eu já saia o que ia acontecer ali e eu queria, na verdade alguma coisa dentro de mim implorava pra que isso acontecesse, mas por um momento meu bom senso falou mais alto, desviei rápido meus olhos dos dele, afim de que essa conexão se acabasse.
- Mitch, eu não posso.
- Na verdade eu não posso. – Ele ainda procurava meus olhos.
- Pois é, acho melhor agente parar por aqui, além do mais, você me faz sentir uma coisa esquisita que não estou acostumada.
- Taylor, na verdade você não encontrou o amor, porque você não se deixou amar.
Eu que evitava olhar encarar o seu olhar, não tive saída e encontrei aquele olhar cheio de coisas diferentes para mim , eu não sabia distinguir , eu não sabia ler o seu olhar.
E então de repente eu me peguei num beijo, um beijo caloroso e calmo, me senti terna como da outra vez, mas agora o vento batia e ele me abraçava, eu queria aquilo e não tinha nem dúvidas, mas eu tentava esconder retrair, sei lá, ainda achava que ele só queria uma distração com a menina estranha. Os meus pensamentos começaram a me torturar ali, por um momento ele parou o beijo mas continuou com o seu rosto a pouquíssimos centímetros de mim, acariciou o meu rosto e encostou seus lábios nos meus, a esse ponto minha mente ou alguma coisa dentro de mim já me matava por dentro resolvi acabar com isso.
- Tá ficando tarde acho melhor agente ir- Eu ainda falava terna, estava de um modo em que eu nunca tinha me visto antes.
Ele concordou, se levantou estendendo a sua mão pra mim, fomos para o carro, no caminho de volta o silêncio perturbador pairou mas dentro de mim havia muito barulho.
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